Uma casa suspensa sobre o próprio jardim.
A casa se resolve em um único volume horizontal, erguido do terreno sobre pilares finos. O jardim passa por baixo, o vento atravessa livre e a laje de cobertura avança em balanço para sombrear as faces envidraçadas.
Suspender a casa resolveu três coisas de uma vez: privacidade em relação à rua, ventilação cruzada permanente e um térreo que continua sendo jardim, em vez de virar embasamento.
Um painel de madeira ripada fecha a lateral e aquece o conjunto. O concreto aparece sem revestimento na laje e na escada. O vidro, em esquadrias pretas de piso a teto, abre o interior para o gramado.
Três materiais, nenhum disfarce — cada um se mostra como é. O acabamento está no encontro entre eles: no prumo das ripas, no canto vivo da laje, no rejunte que não existe.
O acesso é feito por degraus de concreto em balanço, sem corrimão, que descem em cascata do piso elevado até tocar o gramado.
É a peça que dá escala à casa e o primeiro detalhe que se nota da rua. Exige forma bem executada, concretagem controlada e desforma paciente — não se corrige depois.
Nos fundos, o deck de madeira estende a sala para fora, sob um pergolado de estrutura de madeira e cobertura de vidro que filtra o sol sem fechar o céu.
A chaminé metálica marca a lareira externa e uma escada de madeira desce para o jardim. É o lado da casa onde se passa o fim de tarde.
Jardim contínuo, acesso coberto e área técnica sob o piso elevado — o terreno segue passando por baixo da casa.
Estar e refeições voltados para os grandes panos de vidro, em continuidade com a varanda e o deck.
Deck de madeira, pergolado envidraçado e lareira externa, abertos para o gramado.
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